Patente de 15 de Setembro a 18 de Outubro de 2006

Convite da exposição
Design: João Marçal
A sequência de trabalho de João Marçal, se não está dentro da Fotografia, insiste pressurosamente em sitiá-la através do assédio aos seus acessórios, marcas e signos. Tudo o que não for fotografia, mas seja da fotografia, poderá ser um elemento valioso na condução de uma pesquisa sobre um corpo e uma natureza desta técnica de particularização do real. A abrir ao público no próximo dia quinze de Setembro, a exposição “Henriette Binger Barthes”, a partir de pintura e vídeo produzidos pelo autor invoca o livro “A Câmara Clara”, de Roland Barthes que neste ensaio recorre continuamente à imagem da sua mãe e descreve uma fotografia que a representa, fotografia que resta sempre invisível e inacessível aos olhos do leitor. É precisamente a partir da inacessibilidade a uma figuração citada que se constrói e define, na produção de João Marçal, o comentário irónico e a pesquisa teórica sobre o mais banal (e democrático) dos meios de uma representação contemporânea tanto do real como das identidades. Na exposição na galeria MCO, no Porto, o universo e o discurso da fotografia são absorvidos em digestão lenta por um meio que tem a seu favor o circunspecto. Na formalidade da pintura, a fotografia fixa-se como sujeito Universal, afastando-se da particularidade de cada uma das suas imagens. Para fazer este desvio, e forçar coisas tão distintas a habitar a mesma superfície, é necessário pontuarmo-nos pelo registo do humor.
José Roseira






